segunda-feira, 14 de maio de 2012

Nostalgia

Eis aí uma palavrinha que ouvimos com alguma frequência, especialmente vinda da boca do pessoal que já passou dos vinte anos. E quanto mais velhos ficamos, mais temos tendência a essa sensação torta que é a nostalgia - digo torta porque, apesar de, no dicionário, ser irmã gêmea da saudade, normalmente as pessoas que parecem nostálgicas não parecem ter muita saudade daquilo de que falam.

Agora há pouco, no banho, eu estava cantando uma música da Marina Lima. Não lembro qual é o nome da música, mas ela diz: "Essa noite eu quero te ter/ Toda se ardendo só pra mim/ Essa noite eu quero te ter/ Te envolver, te seduzir". Isso me faz lembrar que eu não consigo ver música - de maneira geral - tão boa quanto a da década de oitenta. E aí começa a entrar uma das nostalgias de que as pessoas falam: a falta que faz um tempo ido, muitas vezes anterior às próprias pessoas. Cara! Quando eu nasci, provavelmente a Marina já tocava essa música! Que coisa doida...

Eu não consigo não brincar assim, de vez em quando: "Eu, sujeito quadrado, nascido na metade dos anos oitenta...". Ou, às vezes: "No meu tempo, tevês tinham uma cauda comprida, video game era preto e tinha fios e carro esportivo tinha o motor grande, e não as rodas". Não só quando eu digo isso, mas, vez por outra, quando eu ouço as pessoas dizerem que as coisas parecem meio distorcidas, tortas ou fora do lugar hoje em dia. A própria música, o comportamento das pessoas, o mundo, os valores...

Aquele filme "Meia-Noite em Paris" retrata a nostalgia da maneira como as pessoas mais interpretam hoje em dia. Os personagens sempre têm a sensação de que o tempo anterior aos seus era melhor que os seus próprios tempos. O personagem principal, do século XXI, acha que a época mais legal eram os anos vinte do século XX. A personagem dos anos vinte, por sua vez, acha que a melhor época era a Belle Époque, muitos anos antes de seu tempo também.

E parece que é assim que muitas pessoas se sentem. Eu, inegavelmente, afirmo com todas as letras que não houve época melhor pra música que os anos oitenta. Pro resto, talvez os anos noventa. A melhor época da minha vidinha foram os anos 2002 e 2003 - quando eu estava no segundo grau e só precisava fazer dever de casa. Muita gente concorda com essas e outras coisas. O melhor tempo da música é a década xis, o melhor do cinema foi a ípsilon, o melhor da vida foi a faculdade ou a adolescência...

No fim, somos todos nostálgicos e tortos, achando que não pertencemos à nossa época.

2 comentários:

Anônimo disse...

ameeei!!expressou muito do que penso e mais um pouco *_* obrigada

Estrela da Noite disse...

Concordo com a música dos anos 80 e mesmo o ano 2002... hihi! Foi realmente um bom ano. Mas depois vêm as memórias nostálgicas das farras de faculdade, também... acho que o lance é que sempre lembramos das coisas boas com esse ar de querer voltar, mas no final das contas, daqui a alguns anos, lembraremos de agora da mesma forma, né? ^^

A música se chama "Uma Noite e Meia"!

Beijos, Dé! ^^