Hoje eu chorei. Não que isso seja uma novidade na vida das pessoas ou na minha, mas eu chorei como eu não sei se as pessoas normalmente fazem quando passam por certas coisas.
Uma fase maldita na vida de uma pessoa é a tal de estudar pra concurso público. Tem gente que já sai da escola pensando nela e preparando-se pra ela desde cedo. Já entra numa faculdade de direito como uma forma de adiantar algumas matérias necessárias pra ser aprovado e tudo mais. Há outras pessoas, eu diria que menos sortudas, que acabam caindo na fase do concurso público por não ter outra opção.
Uma pessoa que escolhe cursos como medicina, direito ou arquitetura sai da faculdade com emprego na maioria das vezes - ou com uma boa perspectiva. Já sabe o que vai fazer da vida, já sabe que tem mercado pra ela e, normalmente, já sabe que tudo pode dar certo. O fato é que algumas pessoas escolhem profissões "erradas", ou seja, aquelas que, por algum motivo, não têm perspectiva boa de crescimento. Como é o caso do professor, que a gente bem sabe o que passa.
"Tudo bem. Passar num concurso não deve ser tão difícil assim." E a gente se anima, se programa pra estudar tantas horas por dia, tantas matérias e estar preparado pra aquela prova que pode resolver a nossa vida em definitivo - quer dizer, considerando que o serviço público dê mesmo a segurança e a estabilidade com as quais todo mundo sonha. E há dias em que a gente se sente ótimo. A gente sente que está aprendendo, que está cada dia melhor, que o ritmo de estudo está bom e que a aprovação está cada vez mais perto.
E há dias em que a gente não sabe se dá conta ou acha que não dá. De repente, tem uma pilha de livros abertos em cima da mesa, bem na frente dos seus olhos. Você sabe que está estudando várias horas por dia até porque ninguém diz que é pouco. E você estuda, e estuda e vê aquela pilha de livros na sua frente, um edital com um monte de matérias que você não sabe se vai dar conta de aprender a tempo e aí é que fica legal: bate aquele medo horrível de não passar, de não dar conta. E depois? E se não passar?
Mas por que eu chorei hoje? Parece bobo, mas eu vi o meu gato. Só isso. Um felinozinho bem deitado numa cama, enrolado num cobertor, dormindo igual a um anjo. E pense: "Que vida mansa. Ele tem uma casa onde morar, pessoas que o amame o alimentam... e pronto. Vai ter isso pro resto da vida." Soma-se isso ao medo de não passar num bom concurso público, causado por uma pilha de livros abertos e um dia em que a cabeça parece não funcionar direito e pronto: um humano que acha que gostaria de ter uma vida como a do seu bicho de estimação por pensar que deve ser muito mais tranquila.
É normal?
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
Para os mudanceiros
Mudanças. Não sei por que, mas tem gente que adora mudanças. Tira um móvel do lugar e coloca em outro, troca o relógio de braço compra um guardarroupa novo, muda corte de cabelo e tudo mais. E tem gente que muda quase tudo na vida do mesmo jeito que muda de ideia. E, às vezes, acontece assim com mudanças mais profundas. Mas o que poucos percebem é que, no fundo, muitas vezes as coisas mudam e continuam as mesmas.
Dos sete até os catorze anos de idade, você é uma criança que tem de vestir um uniforme - muitas vezes feio - e ir pra escola. Você passa sua manhã ou sua tarde numa sala de aula e sua tarde ou sua manhã fazendo o dever de casa em casa. às vezes rola aquele curso de inglês ou aquela aula de natação, mas é uma rotina bem certinha. Nos fins de semana, você vai com a sua família pra casa de um tio e passa a tarde de domingo inteirinha lá e, nas férias, você pode dormir até mais tarde e ficar mais tempo embaixo do bloco com os seus amigos.
Dos quinze aos dezessete anos tudo muda. O seu uniforme não é mais tão feio - em parte porque agora você pode usar calça jeans e não é mais obrigado a usar tênis - , você muda de pátio no colégio e tem matérias diferentes pra estudar. O que é melhor: você não é mais criança; é um adolescente. E agora o seu rosto tem espinhas, você começa a notar que você - rapaz - está ficando mais alto e - moça - seus quadris e seios de mulher já estão definidos. O que pouca gente repara é que você continua passando um turno do seu dia na escola, outro estudando em casa, a tarde de domingo na casa do tio e as férias embaixo do bloco. Tá, às vezes rola uma boate, um show ou coisa assim - porque, afinal de contas, você não é mais criança - , mas eles só enraram no lugar do video game e do cinema.
E aí você entra na faculdade. Seu pai já não te leva pra mesma escola - e, muitas vezes, você mesmo é quem dirige pra faculdade - , você não usa mais um uniforme, pode não saber se vai passar um ou dois turnos do seu dia no novo local de aprendizado e praticamente todas as amizades mudam. Claro que você conserva os velhos amigos da escola, mas um queria fazer Direito, o outro queria Medicina e o mais doido queria Engenharia Mecatrônica. É tudo absolutamente novo! Incrível! O que é mais incrível ainda é que você continua passando uma parte do seu dia numa sala de aula, outra parte estudando em casa e tudo mais. Tudo novo mesmo?
Depois de quatro ou cinco anos - na maioria das vezes - , você se forma. Veste uma roupa engraçada, sobe num tablado, recebe um diploma e um abraço de um professor que você pode nunca ter visto e pronto. Vamos para o mercado de trabalho. E aí você vai para um cursinho estudar pra um concurso público ou pra entrar na entidade de classe da sua profissão. É tudo diferente: você não tem mais de tirar boas notas pra passar de ano, não tem deveres de casa e, definitivamente, vai estudar só as matérias lhe forem convenientes. Mas vai continuar passando uma parte do seu dia numa sala de aula e outra parte estudando em casa.
E essa fase, fatalmente, acaba. Você passa num bom concurso público ou tira o seu CRAlgo, é nomeado ou contratado e vira um cidadão respeitável, com direitos, obrigações e um contracheque. Vai para um escritório trabalhar de seis a oito horas por dia e voltar pra casa, porque no outro dia tem de fazer tudo de novo. Ah! Você não está mais numa sala de aula, é verdade. Mas está num escritório, consultório, gabinete ou coisa parecida. E passa parte do seu dia lá, fazendo o que tem de fazer e, possivelmente, vai passar uma parte do dia em casa fazendo coisas do trabalho.
Mudou alguma coisa?
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Palavras de um Ex
Ai, você...
Você era uma loucura alguns anos atrás. Eu te desejava como todos na minha idade te desejavam. Eu te desejava com amor, com paixão, de corpo e alma, quase alucinadamente. Todos os dias pensava em você. Você era o meu sonho de consumo, meu desejo, minha motivação, minha inspiração, minha musa.
E um dia eu consegui te alcançar! Como foi lindo!
Os primeiros dois anos foram realmente como uma paixão louca. Eu acordava pensando em você, dormia pensando em você e sonhava com você quase todas as noites. E mesmo de dia eu era bem capaz de sonhar acordado com você. Passava os meus dias inteiros no teu seio e adorava isso. Parecia que nada mais era necessário. Eu e você tínhamos uma relação louca, insana, quase doentia.
E aí a nossa relação ficou doentia de verdade...
Eu não queria mais passar o dia inteiro com você, mas você não me dava escolha. Queria ir embora, mas você não deixava. E, quando ia, você me fazia pensar em você o tempo inteiro. Que inferno! Passou-se mais um ano, e mais um, e mais outro... Todos pensavam que, ao final de cinco anos, eu seria capaz de me livrar de você. Mas eu não fui. Eu sabia que precisava de mais algum tempo. O que eu não sabia é que eu precisaria de tanto tempo a mais.
Os dias, então começaram a passar como horas. As horas, como minutos. Os minutos, como segundos. E cada segundo era uma eternidade. Eu não conseguia mais ver a hora de me livrar de você. Você já não era mais o meu desejo, a minha motivação, a minha inspiração; era agora a minha doença, a minha praga, a minha maldição. E quanto mais eu fizesse para me livrar de você, mais você parecia grudar em mim e tomar conta da minha vida. Minha rotina funcionava em seu favor. Meu trabalho vinha em segundo plano, porque você assim queria. Até amizades minhas mudaram por sua causa.
Mas hoje, depois de sete anos, eu finalmente me libertei!
Daqui a pouco - pensei em dizer anos, mas já posso dizer segundos ou décimos de segundo, se eu quiser - , eu vou olhar para você e dizer "Até mais". Ou "Até nunca mais". Você já tomou mais de um quarto da minha vida, e agora eu quero dar espaço para outras coisas, que agoro julgo mais importantes que você. Ah, esqueci! Era você que se julgava mais importante que tudo! A minha rotina, o meu trabalho, tudo era por sua causa. Mas agora, minha querida, não é mais. Nada disso. Nada meu tem a ver com você. Carrego duas marcas suas, é verdade. No entanto, para mim são duas provas de que eu sobrevivi a você, são dois troféus, duas medalhas que vou pendurar no pescoço, por baixo da camisa, e mostrar para quem quiser ver.
Adeus, querida. Quem sabe não nos vemos de novo? Mas não como antes, não numa relação doentia, de uma necessidade psíquica desmedida e incontrolável. Adeus, meu bem. E apesar de tudo, obrigado por tudo.
Adeus, UnB!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Raiva
Assim. Curta. Grossa. Ríspida. Dura. Dissíliba, cinco letras e, só pra variar, de um impacto imenso na pessoa que se atreve a senti-la.
Mas como a raiva vem até nós?
Não sei. Na verdade, às vezes não faço ideia. Mas acontece, de vez em quando, de estacionarmos o nosso carro onde quer que seja e, quando voltamos, tem um maldito amassado na nossa porta. Calma... Tem um o quê? Amassado na porta? Não, antes disso... Tem um MALDITO amassado na porta. Hmmm...
Aí você chega em casa já meio fulo da vida - ou mesmo que não chegue nem meio fulo da vida - , deixa as suas coisas onde elas têm que ficar e dá uma bela topada com o mindinho do pé no pé do sofá. Primeira coisa que vem à cabeça? Não sejamos hipócritas! A maioria das topadas com o pé no pé do sofá vêm seguidas de um sonoro "puta que pariu". Mas dito assim: PUTA QUE PARIU! Heim?! Como? De onde veio esse palavrão?
Tá. Já vimos que alguma coisa nossa que, por algum motivo, aparece estragada e dor às vezes levam-nos a ter raiva. Mas tem aquela velha pergunta que, volta e meia, rola solta pelo Answerless: e quando é com pessoas?
Alguns de nós já tivemos a infelicidade de ganhar um chapéu de boi. Até aí, digamos que não haja problema - mas há. O fato é que a coisa pega na gente de verdade quando descobrimos. E aí, meu querido e minha querida, sobe aquele vapor de alguma coisa à cabeça e não tem santo que consiga te fazer parar de dizer impropérios sobre aquele infeliz que te condecorou com o chapéu de boi. Ou tem? Não. Não tem.
Não só acontece assim, como também acontece quando damos um voto de confiança a uma pessoa e ela faz exatamente o oposto do que deveria com o seu voto de confiança. Tipo assim... Você cede a sua casa, o seu espaço, abre mão da sua individualidade e privacidade em vários aspectos e, de repente, a pessoa que você acolheu vai embora sem nem deixar rastro. Ahn? Você fica com o quê?
E claro que eu não podia deixar de mencionar aquele Zé-Ruela que vai ao seu blog e publica comentários ridículos em anonimato. A primeira coisa que vem é o incômodo de ler aquele impropério no seu blog. A segunda que vem é a pulga que coça atrás da orelha porque você não consegue saber quem é o infeliz que teve a covarde audácia de te ofender - ou algo assim - sem se identificar. Vai... É o fim da picada, né?
Juta todas essas coisas num só dia ou momento e pronto! Você avermelha, fumaça, espuma e faz mais um bocado de coisas que a gente só faz quando tem o quê? É... Aquela coisa feia que faz a gente falar palavrões e ter vontade de encher um e outro de porrada até a tampa.
É humano, né?
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Despedida
Eis aí uma palavra com um perfil um pouco incomum aqui no blog. Essa não é tão curta, são quatro sílabas, nove letras e... Vamos dizer assim: não é fácil. Nem um pouco. É claro que, só pra variar, estamos tomando por referencial um canceriano que, como eu, tem dificuldade com desapego e afins. Mas, no geral, não costuma mesmo ser uma palavra fácil de se usar ou um assunto fácil de se discutir.
Como um bom exemplo de canceriano, confesso que sou uma pessoa um pouco avessa a grandes mudanças, especialmente porque mudar normalmente implica despedida. Às vezes a gente se despede de alguma coisa, ou de uma pessoa, ou de algum objeto pessoal e assim vai. Muitas vezes pode ser difícil fazer algo que parece tão simples quanto virar a palma da mão pra frente e balançar a mão para os lados.
Semana passada, precisamente, fiz uma grandessíssima mudança na minha rotina. Hoje mesmo começo a ter aulas num cursinho preparatório pra concursos públicos - pois é, lá vou eu também. Mas semana passada eu era, há mais de um ano, professor de um cursinho pré-vestibular. Estava tudo em seu devido lugar: horas e horas de aulas e monitoria durante a semana com um final de semana restaurador pra eu começar tudo de novo na outra segunda-feira, folhas de ponto pra preencher, matérias pra ensinar a um monte de alunos e coordenadores a quem prestar contas de vez em quando.
E onde entra a despedida? Em função da nova rotina e da impossibilidade de conciliar todas as atividades, tive de sair do cursinho onde trabalhava. Assim, de repente. Sexta-feira eu estava cumprindo as minhas horas e ensinando os meus conteúdos e segunda-feira eu não tinha mais horas pra cumprir ou conteúdos pra ensinar. Muitos devem pensar que é uma beleza não ter que trabalhar, não ter contas a prestar nem satisfações a dar. Mas e aquela coisa toda da satisfação profissional e outras coisas que isso envolve?
Deixei de fazer aquilo que mais gosto de fazer como profissional de um dia pro outro. Deixei de conviver com os meus colegas de trabalho, de frequentar um ambiente que ocupava boa parte das minhas horas, de interagir de várias formas com mais de trezentos alunos e assim vai. O mais difícil nisso tudo, na minha opinião, nem foi quebrar drástica e totalmente a minha rotina, mas a relação com as pessoas.
De novo como um bom canceriano, torno a confessar que tenho certa dificuldade em me desfazer de certas coisas. E ver que muitos dos meus alunos - e quando digo "muitos" quero dizer "muito mais do que eu esperava" - ficaram insatisfeitos e até inconformados com a minha saída me partiu o coração. Na minha cabeça - e modéstia à parte - , eu era apenas "um bom profissional cumprindo o seu trabalho", chegando na hora, indo ao trabalho todos os dias e fazendo bem o que tinha que ser feito.
Existem vários fatores que contribuíram pra minha tomada de decisão e atitude tão de repente. Claro que nenhum de nós, em sã consciência, faria algo assim por nada. É sempre pelo nosso bem. Mas aquele monte de adolescentes fazendo caras de insatisfação e inconformidade me comoveu. E me fez pensar que despedida nunca é fácil.
De volta (ou quase isso)
Caríssimas leitoras e caríssimos leitores! Bem-vindos de volta e bem-vindos sempre!
Eis que o Answerless está voltando às suas atividades - ou tentando - depois de muito, muito tempo de ferrugem e estática. Além de não ter tido muito tempo para vir aqui publicar alguma coisa de vez em quando, confesso que andei - ou tenho andado - meio sem criatividade - ou assunto - para fazer novas publicações aqui.
Mas o tempo passa e os tempos mudam. E tudo isso faz com que outras coisas apareçam nas nossas cabeças e que respiremos novos ares. Agora chega de conversa fiada e vamos ao que interessa! =D
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O sentido dos sentidos
Não sei se acontece com vocês, se acontece com todos nem se é normal, mas hoje eu reparei uma coisa que achei bem esquisita. Levanta a mão aí quem um dia sentiu que os sentidos estavam todos aguçados - tá, não precisa levantar a mão. Vai ser engraçado alguém te ver na frente do computador com o braço erguido. Então...
Eu já reparei que toda manhã, quando acordo, a minha audição está absurdamente aguçada. Não só de manhã, na verdade. Depois daquele cochilo que a gente tira à tarde - pra matar a "depressão pós-almoço" - até mesmo o barulho da água do chuveiro caindo no chão torna-se ensurdecedor. Tudo bem, até aí, pra mim, é normal. O fato é que não é só isso.
Hoje de manhã, quando estava chegando no trabalho, comecei a perceber essa mudança estranha. Deixei o carro com o manobrista e fui andando até a portaria do prédio - não deve dar mais que cem metros de caminhada. Nesses mínimos cem metros eu senti - juro que contei - quinze cheiros diferentes. E antes tivessem sido um cheiro de pipoca, outro de massa cozinhando, outro de cocô de cavalo - que são cheiros fortes e acho que qualquer um reconhece quando sente. Desses cheiros todos, posso dizer genericamente, que quatro eram cheiros de coisas podres, cinco eram cheiros de rua - fumaças, asfalto e pneu queimado - três de produtos de limpeza e três de perfumes.
Segundo assalto. Enfiei a mão no bolso da calça para pegar as chaves da porta do escritório, que ficam no mesmo molho de chaves em que levo as de casa. Pois pus a mão no bolso e, por mais incrível que me parecesse, reconheci a chave que fica imediatamente abaixo da maçaneta pela textura da cabeça da própria chave - seria fácil reconhecer a outra, pois é uma chave tetra. Como fiz isso? Nem eu sei. Enquanto destrancava a porta, percebi as inúmeras irregularidadezinhas dos meus lábios - que estavam ressecados - e de dentro da minha boca - às vezes, por nervosismo, mordo a pelezinha de dentro dela. São coisas que não costumo notar com facilidade e muito menos com a mesma precisão com que fiz hoje de manhã.
Terceiro assalto. Entrei no escritório, liguei o computador, o condicionador de ar e saí de novo para comprar o jornal do dia na banca de revistas ali perto. Tranquei a porta, peguei o elevador e... Que gosto é esse? Ah... A manteiga de cacau que eu passei assim que entrei no escritório. Nunca tinha reparado que ela não tem gosto do que quer que o rótulo diga que ela tenha. Na verdade, nunca tinha reparado nem que ela tem gosto, só que deixa a boca meio melequenta - do mesmo jeito que fazem os brilhos labiais das moças. Enfim...
E não parou por aí. Quem me conhece sabe que tenho hipermetropia, astigmatismo e estrabismo. Então, o último sentido que, pela lógica, poderia ficar aguçado por qualquer razão, é a minha visão. Mas mesmo ela teve lá suas alterações. Como caminhei até a banca de revista com a cabeça baixa, não percebi muita coisa diferente, mas eu não sabia que o asfalto tinha tanto mais que só cinza, branco e amarelo. Cheguei à banca, comprei o jornal e voltei. Desta vez, com a cabeça bem erguida. E fiquei impressionado com o número de cores que vi e percebi em outras cores enquanto voltava ao escritório. Não sabia que a cor prata da Fiat tinha o espectro azul e a prata da Chevrolet tinha o espectro cinza. "Espera, André, que coisa mais esquisita em que reparar." Mas é verdade. Dois Fiat Palio, dois Fiat Uno e um Fiat Marea prateados entre a banca de revistas e a portaria do prédio do escritório. A prata da Fiat tem, realmente, um fundo azul. Três Chevrolet Corsa, uma Chevrolet Meriva, dois Chevrolet Astra, um Chevrolet Vectra - e todos estes prateados. Engraçado, a prata da Chevrolet é, realmente, meio acinzentada.
Agora... Por que diabos isso acontece? Alguma razão especial? Algum palpite? Se a resposta pra essas perguntas for "Não sei", "Não sei" e "Não", respectivamente... Bom... Bem-vindo ao Answerless.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Pra começar bem...
E por que não começar o ano falando de Letras e afins? Afinal de contas, não é essa a minha área de trabalho e estudo? Acho que, de vez em quando, esse tipo de assunto num blog é bem-vindo - será que eu usei direito esse hífen?
--
O novo acordo ortográfico - opinião pessoal
Eis um assunto que há tempos eu penso em colocar em discussão aqui no Answerless. Um assunto que, diga-se de passagem, tem-me dado dor de cabeça desde que tomei conhecimento - e isso já faz um bom tempo. Qual é a opinião de vocês, leitores, a respeito desse novo acordo ortográfico?
Tenho salvo no meu computador um endereço eletrônico que traz, descritas e explicadas, as novas regras de ortografia da língua portuguesa. Depois de, finalmente, aceitar que as mudanças já foram feitas, aprovadas, que já estão em vigor e depois de ler e reler aquele troço sei lá quantas vezes eu me pergunto: pa-ra-quê?
Peço desculpas antecipadas por escrever "à moda antiga" daqui até o fim da postagem. Logo vocês entenderão por que.
Comecemos pelo hífen. Finalmente o uso desse tracinho enjoado ficou mais simples. Na minha cabecinha de vento as regras para o uso do hífen ganharam mais lógica. Contudo, devo dizer que foi a única mudança que achei positiva - entre as tantas feitas na nossa bela língua. Atentemos agora para os "podres".
Por exemplo: o que passa pela cabeça de uma pessoa quando pensa em sumir com o acento de metade das paroxítonas e com acentos diferenciais? Pelo amor de Cristo! Não! Se "tem" e "têm" continuam diferentes na escrita e as pessoas sabem que o primeiro é singular e o segundo é plural, por que diabos sumir com o acento diferencial de "pára"? Não é ele, afinal de contas, que diferencia uma preposição de um verbo? Qual é, exatamente a utilidade disso?
Outro exemplo: por que tirar o acento de palavras como "paranoia"? Não é paranóia demais? Seguindo a mesma mecânica que faz com que uma poça seja uma "pôça" e não uma "póça", daqui a não muitos anos a nossa paranóia vai virar paranôia.
Quem quiser discordar - com ou sem motivo - , que discorde. Não tem problema. Mas há mais para discutir. Uma mudança de derrubar o queixo: o sumiço do trema. Tudo bem, tudo bem. Perdi as contas de quantas pessoas já ouvi falar que acham um saco colocar aqueles dois pontinhos nojentos em cima do "u". Contudo, a maioria delas acha um saco ter de colocar acento em um monte de palavras. Só que - pelo amor de Deus! - ninguém dessas pessoas já pensou que, fatalmente, daqui duas ou três gerações, calculo eu - leiam como leriam até 31/12/2008, por favor - , a lingüiça vai virar linguiça, ninguém mais vai freqüentar lugar nenhum - e sim frequentar - e muitas pessoas não aguentarão muitas coisas que enfrentam no seu dia-a-dia?
Certo, certo. Vá lá. Regras são regras e elas foram feitas para ser seguidas. Uns acentos a menos, uns tremas a menos, uns hífens mais assim e menos assado... Mas a mudança "suprema", aquela que não cabe na minha cabecinha, aquela que não me desce pela goela nem que empurrem, é a adoção de K, W e Y no nosso alfabeto.
Ai...
Para quê? Pergunto a vocês, leitores, e a mim mesmo: pa-ra-que, meu Deus do céu? Como professor de português, corretor de imóveis - que está sempre no meio de pessoas que usam palavras difíceis da administração, do direito e de outros ramos - e como - claro! - um rapaz de vinte e dois anos de idade, eu já não agüentava - quer dizer, já não aguentava - ouvir certas coisas. Quando me disseram, certa vez, que eu poderia fazer um leasing para comprar um carro novo, quase tive um enfarto. Leasing não quer dizer financiamento? Mais ou menos. Uma vez uma amiga minha disse que leasing quer dizer arrendamento mercantil de não sei das quantas - era um nome muito comprido e eu não lembro agora. Mas ainda que seja um arrendamento mercantil de patati caixa de fósforo, pra que diabos usar uma palavra que nada tem a ver com as nossas origens?
Outra situação. Um amigo foi para uma entrevista de emprego e me contou que o possível futuro chefe gostou muito dele e disse que pelo seu know how... Pára! Quer dizer, para! Não era muito melhor - e muito mais bonito - dizer que "... pelo seu conhecimento..."? Eu confesso que só não vou tocar em shopping porque eu, no momento, não sei como substituir essa palavra por uma que seja puramente portuguesa. Mas continuo achando que, para toda palavra, expressão ou termo que usemos em inglês, francês ou qualquer outra língua, existe uma palavra, expressão ou termo equivalente no portugês.
Eu, caríssimos leitores, detestei a tal reforma ortográfica. Ressalto, mais uma vez, que todo esse texto é apenas uma opinião pessoal. Não quero que ninguém se ofenda com as minhas palavras aqui. Mas ainda há mais um ponto em que tocar.
Na primeira vez em que ouvi a respeito de reforma da língua portuguesa, acordo ortográfico, coisa e tal, o argumento era que isso serviria para unificar a língua de todos os países falantes de português. E eu torno a perguntar: pa-ra-quê?
Eu já quase fui esbofeteado em certas discussões sobre povos, culturas, línguas e afins. E tais - quase - bofetadas vieram seguidas de "língua é cultura", "cultura é feita de língua", "a língua de um povo é a sua identidade e ela faz dele um povo único". E agora eu me pergunto: cadê esse pessoal que fala essas coisas? Não tinha ninguém que pensasse dessa forma em meio às pessoas que aprovariam ou não o novo acordo ortográfico? Nunca na vida discordei de que língua é cultura e identidade. Jamais. Muito pelo contrário, concordo plenamente com essa idéia - quer dizer, ideia. Na verdade, é um fato e não só uma ideia. Agora que todos os povos que falam língua portuguesa têm as mesmas regras, a identidade deles - inclusive a nossa, brasileiros - , fica abalada? Alterada? Ou some de vez?
Não, não some. Um povo é feito de cultura e a cultura é feita de mais que só a língua. Contudo, uma marca da identidade de todos os povos que falam o português acaba de sumir. Ou, por acaso, achais que não, caríssimos leitores? Não deixem de expressar a vossa opinião pessoal num comentário nessa postagem, certo?
Beijos e abraços a todos!
domingo, 28 de dezembro de 2008
Lobão
Já dizia ele: "Não dá para controlar/ Não dá!/ Não dá pra programar/ Eu ligo o rádio e bláblá!/ Bláblábláblá, eu te amo". Pior é que não dá mesmo.
Dia de shopping com o papai e as irmãs, cinema, trocar uma camisa que não coube... Dá pra dizer que é um dominguinho normal e feliz pra qualquer um. Mas sabe quando você, de repente, fica meio cabisbaixo, menho nhé, meio "nem tou a fim"?
Não é nada. E é tudo. Os dois ao mesmo tempo. Nessas horas a gente lembra que tá com saudade da namorada que viajou, que tá completando meses de namoro com ela - só que longe dela - , nessas horas a gente se lembra de uma pessoa querida com quem não fala mais - mas adoraria ainda falar com ela - e mais um punhado de coisas pra encher a cabeça da gente.
Mas por quê? Pra quê? Por que e pra que diabos a gente fica nessa cabisbaixice? Não serve pra nada, dá deprê, dá choro, dá cansaço que vem do nada, vontade de afundar a cabeça no travesseiro e não sair mais de lá.
E aí a gente lembra que trabalha amanhã. Mas isso aí nem...
E aí a gente torna a pensar na namorada que tá longe e na pessoa querida com quem não fala mais. E vêm lembranças de todo jeito nas nossas cabeças. Na verdade, não de todo jeito. Quando você tá jantando com a sua mãe e vendo ela espetar uns cacos de salpicão com o garfo ao som de sei-lá-o-quê na Antena 1 que diz "I love you" você lembra só das coisas boas. E fica querendo voltar a ver aquelas pessoas queridas - a namorada que está longe e aquela com quem não se fala mais. Aí eu me lembrei do Lobão dizendo que não dá pra controlar. É engraçado isso, né?
Depois a gente vai pro computador, publica uma bobagem no blog ouvindo música deprê enquanto digita e, daí a umas horas, vai dormir.
Que amanhã é outro dia e tem que trabalhar de manhã cedo.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Anyway (à Carolina Genú Nakazato)
Rising from the forgotten,
I tell you no lies,
Here come my words
Rising from the forbidden,
I tell you no lies,
Here comes my look
Searching for the untouched
Words I didn't tell you
Words you didn't hear
Searching for the unknown
Only you could tell
Your answers, maybe
Into the heart of darkness lies my hope
But there is, still, something that remains
Into the heart of darkness lies my hope
To see you again
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
There should have been a fusion
Between love and hate
They should become one
But I just can't forget
Our happiest days
They just haven't gone
Into the heart of darkness lies my love
Shouldn't I find it all too strange?
Into the heart of darkness lies my hope
To see you again
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
Never could I understand
Never could I comprehend
What took you from my hands
How it all turned to sand
You could have come to me
I could have come to you
You could have spoken to me
I could have spoken to you
You could have understood me
I could have understood you
But you don't want to see me
And still I want to see you
Into the heart of darkness lies my love
Buried deep into my chest
Out of the heart of darkness I'll find us both
And maybe some rest
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
--
Anyway (Qualquer Jeito - Tradução)
Levantando-se do esquecido,
Não te digo mentiras,
Lá vêm minhas palavras
Levantando-se do proibido,
Não te digo mentiras,
Lá vem meu olhar
Procurando o intocado
Palavras que eu não te disse
Palavras que você não ouviu
Procurando o desconhecido
Só você poderia dizer
Suas respostas, talvez
Dentro do coração das trevas jaz minha esperança
Mas há, ainda, algo que resta
Dentro do coração das trevas jaz minha esperança
De te ver de novo
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para ver o seu rosto
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
Deveria ter havido uma fusão
Entre o amor e o ódio
Eles deveriam virar um só
Mas simplesmente não consigo esquecer
Nossos dias mais felizes
Eles simplesmente não se foram
Dentro do coração das trevas jaz o meu amor
Eu não deveria achar isso tudo muito estranho?
Dentro do coração das trevas jaz a minha esperança
De te ver de novo
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para te ver de novo
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
Nunca pude entender
Nunca pude compreender
O que te tirou das minhas mãos
Como isso tudo virou areia
Você poderia ter vindo a mim
Eu poderia ter ido a você
Você poderia ter falado comigo
Eu poderia ter falado com você
Você poderia ter me entendido
Eu poderia ter entendido você
Mas você não quer me ver
E eu ainda quero ver você
Dentro do coração das trevas jaz o meu amor
Enterrado fundo dentro do meu peito
Fora do coração das trevas hei de nos encontrar
E, talvez, algum descanso
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para ver o seu rosto
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
I tell you no lies,
Here come my words
Rising from the forbidden,
I tell you no lies,
Here comes my look
Searching for the untouched
Words I didn't tell you
Words you didn't hear
Searching for the unknown
Only you could tell
Your answers, maybe
Into the heart of darkness lies my hope
But there is, still, something that remains
Into the heart of darkness lies my hope
To see you again
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
There should have been a fusion
Between love and hate
They should become one
But I just can't forget
Our happiest days
They just haven't gone
Into the heart of darkness lies my love
Shouldn't I find it all too strange?
Into the heart of darkness lies my hope
To see you again
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
Never could I understand
Never could I comprehend
What took you from my hands
How it all turned to sand
You could have come to me
I could have come to you
You could have spoken to me
I could have spoken to you
You could have understood me
I could have understood you
But you don't want to see me
And still I want to see you
Into the heart of darkness lies my love
Buried deep into my chest
Out of the heart of darkness I'll find us both
And maybe some rest
I cannot wait to look in your eyes any day
I cannot wait to see your face
I cannot say - whatever I have in my head
I cannot say it just anyway
--
Anyway (Qualquer Jeito - Tradução)
Levantando-se do esquecido,
Não te digo mentiras,
Lá vêm minhas palavras
Levantando-se do proibido,
Não te digo mentiras,
Lá vem meu olhar
Procurando o intocado
Palavras que eu não te disse
Palavras que você não ouviu
Procurando o desconhecido
Só você poderia dizer
Suas respostas, talvez
Dentro do coração das trevas jaz minha esperança
Mas há, ainda, algo que resta
Dentro do coração das trevas jaz minha esperança
De te ver de novo
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para ver o seu rosto
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
Deveria ter havido uma fusão
Entre o amor e o ódio
Eles deveriam virar um só
Mas simplesmente não consigo esquecer
Nossos dias mais felizes
Eles simplesmente não se foram
Dentro do coração das trevas jaz o meu amor
Eu não deveria achar isso tudo muito estranho?
Dentro do coração das trevas jaz a minha esperança
De te ver de novo
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para te ver de novo
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
Nunca pude entender
Nunca pude compreender
O que te tirou das minhas mãos
Como isso tudo virou areia
Você poderia ter vindo a mim
Eu poderia ter ido a você
Você poderia ter falado comigo
Eu poderia ter falado com você
Você poderia ter me entendido
Eu poderia ter entendido você
Mas você não quer me ver
E eu ainda quero ver você
Dentro do coração das trevas jaz o meu amor
Enterrado fundo dentro do meu peito
Fora do coração das trevas hei de nos encontrar
E, talvez, algum descanso
Não posso esperar para olhar nos seus olhos qualquer dia
Não posso esperar para ver o seu rosto
Não posso dizer - que quer que eu tenha na minha cabeça
Não posso dizer simplesmente de qualquer jeito
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Sexo (por Ivete Pimenta)
Isso. Nu, cru, obsceno, selvagem, lindo e... orgásmico. Um assunto sobre o qual muitos falam com desenvoltura, outros com uma pseudo-desenvoltura e outros evitam cada um por seus motivos.
E é interessantíssimo notar as diferenças - ora mínimas, ora díspares - entre sexo e sexo. Afinal de contas, quem discorda de que há sexos e sexos? Um não é a mesma coisa que outro.
Nem sempre ele será nu. Às vezes bate aquela vontadezinha sem-vergonha de, como dizem uns, fazer uma rapidinha em lugares aconchegantes como um elevador ou em horas próprias como no meio da tarde no mar. Mas isso é só o sentido literal da palavra. As pessoas vestem o sexo também com aromas afrodisíacos, fantasias, roupas ousadas, banho de espuma, gravatas amarradas nos pulsos, caldas de cereja que esquentam com saliva... E fazem horas e horas de festa - ou sexo? Tudo isso faz com que ele deixe de ser cru também.
Sobre a obscenidade... Ela é uma coisa muito relativa. Há pessoas que não vêem obscenidade nem mesmo naquelas cenas mais vulgares do filme pornô de produção mais barata. No extremo oposto, o ombro feminino exposto é desmedidamente obsceno. Desenhar a linha que separa o que é obsceno do que não é, então, fica difícil. O sexo pode sê-lo ou não - e ser e não ser ao mesmo tempo.
A selvageria é outro conceito relativo. Mas, já dizia um outro, "tudo é relativo". Então... É o seguinte: sexo selvagem não precisa ser aquela coisa com tendências canibais, pré-históricas ou desprovida de qualquer traço de delicadeza. O sexo, por si só, é selvagem; trata-se de um dos instintos mais primitivos do ser humano. Vou deixar a beleza e o orgasmo por conta de vocês, leitoras e leitores.
E há tantas outras coisas a se notar a respeito desse ato tão nu, cru, obceno, selvagem, lindo e orgásmico... Quem discorda de mim quando digo que não é a mesma coisa fazer sexo e fazer amor? Coloquemos isso da seguinte maneira: fazer sexo por fazer sexo é diversão, agitação, uma busca louca pelo prazer. Partir para o que já se conhece para chegar "lá" e - por que não? - explorar alguma coisa nova para saber que gosto tem. É uma verdadeira loucura. Mas fazer amor...
Fazer amor é uma coisa linda. Depois de uma noite completamente entregue ao prazer do amor - ou do sexo com amor, como preferir - , notei uma coisa que achei, ao mesmo tempo, engraçadíssima e deliciosa - mas "deliciosa" tendo a delícia numa direção diferente do "engraçado". Depois que você passa uma noite doida de sexo com, digamos assim, o seu "fuck friend", você sai com aquele cansaçozinho gostoso de quem acabou de passar horas numa brincadeira divertida - e, de fato, foi o que aconteceu.
Só que, depois que você passa uma noite de amor, tudo fica calmo. Você se acalma, o seu par - que não vai ser seu "fuck friend" - , se acalma, a noite fica tranqüila, bate um soninho gostoso e uma sensação torradinha com geléia de amora e suco de laranja... Delícia...
E tudo volta a ser "nervoso" e "tarado" depois que se veste a roupa...
Ivete Pimenta
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Sonhar e sorrir Vol. 2
- Aiai, mãe do céu... Essa minha barriga deste tamanhão não está dando lá muito certo.
- Que é que foi, rapaz?
- Olha pra isso! Já tem quase nove meses! Disse o médico que eu devo entrar em trabalho de parto logo, logo.
- O quê? Isso não é excesso de comida e falta de exercício?
- Olha... Não dá pra ser. Tudo bem que eu como bastante, mas não é possível que a academia e o karate não dêem conta de sumir com isso. Além do mais, eu não estou todo gordinho. É só a minha barriga.
- E como você explica isso?
- Ora, pistolas! Eu estou grávido! Quase nove meses e a minha barriga continua crescendo? Vai dizer que não aprendeu isso depois de dois filhos?
- Sim... Mas você não é cavalo marinho pra ser macho e ter os filhos.
- Pois é... Mas, se você encostar aqui na minha barriga, vai sentir a neném chutar.
- A?
- É. É uma menina.
- Como você sabe?
- Já ouviu falar em ecografia, mana?
- Como assim, seu doio?
- Aiai! Aiaiaiai, mana! Vamos comigo pro hospital que eu acho que é já, já.
Meia-hora depois, no hospital...
- Mas como isso é possível, meu filho?
- Doutor... Não me pergunte. Eu sei que uns nove meses atrás rolou alguma coisa entre mim e a minha esposa e agora eu estou com essa barriga desse tamanho, um bebê dentro e sem a menor idéia de como vou fazer pra colocá-la pra fora.
- Mas, meu filho... Você é um homem! Os homens não...
- Não, doutor, eles não têm filhos. Normalmente, não. Mas você quer me encaminhar pra outra ecografia ou ultrassonografia ou sei lá o quê pra ver com os seus próprios olhos?
- Você está brincando?
Ele tira um disco do bolso da bermuda laranja.
- Aqui. O DVD com a última ecografia, mais ou menos um mês atrás.
- Não acredito nisso...
- Aaaaaiaiai, doutor! Vamo'embora pra sala de parto logo que vai ser agora.
Na sala de parto, o rapaz já deitado, o médico coloca as luvas de borracha, a máscara...
- Vamos, meu filho! Empurre essa criança!
- Doutor... Eu sequer tenho dilatação... Como o senhor espera que eu empurre?
- Hahahahahahahahaha!!!!!
- Hahahahahahahahahah!!!!
Uma cesariana e um ano e meio depois.
- Olha pra ela, mana, que graça!
- Loirinha que nem a avó, a cara do pai e os cachinhos da mãe, não é?
- É, sim. Só não entendi direito de onde saíram esses olhos verdes - ele diz sorrindo.
- Devem ser da avó também. Ela era loirinha e tinha os olhos claros quando era bebê.
- Eu sei que a minha filhinha é uma graça - olha para a filha no colo - , não é, Lelê?
- Letícia vai ficar uma mocinha linda quando crescer. Quer dizer... Se puxar à mãe...
- Não perde uma, né, mana?
--
Agora... É muito engraçado como a gente sonha, não é verdade? Só num filme ou num sonho pra um homem engravidar. Eu mesmo fiquei sem acreditar quando vi aquela barrigona ao olhar pra baixo. Mas a sensação de segurar a loirinha de cabelos cacheados nos braços foi única.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Medo
E bem ao contrário de muitas das coisas que um ser humano possa sentir, o medo impede um monte de coisas. A raiva, a alegria, o amor, o ódio, a saudade e outras coisas geralmente impelem o ser a fazer alguma coisa - qualquer que seja ela. Geralmente essas coisas levam um homem ou uma mulher a tomar uma atitude diante daquilo por que tem um desses sentimentos. Mas é bem ao contrário do medo.
O medo, se impele alguém a fazer alguma coisa, é a encolher-se num canto e, de vez em quando, não olhar pra aquilo que causa medo - mas, na maioria das vezes, olhar fixamente pra essa coisa esperando que ela suma ou, pelo menos, que ela não chegue perto. No entanto, convenhamos que encolher-se num canto pode, de certa maneira, ser traduzido em não tomar uma atitude, uma vez que não se dirige ao objeto em questão.
Pergunta clássica deste blog: e quando se trata de pessoas?
Uma coisa é você ter medo de alguém muito maior, mais forte e agressivo que você. Quem não tem medo de tomar uma surra de uma pessoa maior? Quem gosta de dor? Até aí, tudo bem. Você não chega perto daquela pessoa porque há um instinto primitivo que te diz: "Dor dói! Vai lá não!"
E quando se trata de situações que não mexem com dor física? Mais precisamente... E quando se trata de situações que envolvem questões coraçãonais*? Do tipo você se envolve com uma pessoa e, por alguma razão, resolve parar. Por quê? Quer dizer... Na teoria, as duas pessoas podem, são maduras o bastante pra isso, estão dispostas... Porém tem alguma coisinha esquisita que te impede de ir aonde você queria ir, de fazer o que queria fazer. De novo: Por quê? Medo de machucar o outro? Tudo bem. É um medo, digamos, nobre. Você está pensando no outro. E se o outro não tem medo?
Medo de se envolver? De se envolver demais? De gostar mais do que quer gostar? De se machucar? De se apaixonar? Se você tem um ou mais desses medos, eu tenho uma novidade - talvez não seja novidade - pra você: a vida é feita disso - e digo por experiência própria. Tem aquele velho ditado que a gente já está cansado de ouvir que diz que quem não arrisca não petisca. E é bem verdade.
Tudo bem. Se você não "vai lá", você evita com a maior eficácia possível aquela coisa que poderia te fazer aquele mal de que você tem medo. Por outro lado, você não aproveita aquela coisa gostosa que você estava a fim de degustar. E agora? Simples! Ponha na balança! Será que o que pode doer vai doer mais do que vai agradar o que pode agradar? Se a resposta for sim, aí deixa de ser medo. Se for não...
...Tá fazendo o que aqui?
--
*coraçãonais - adjetivo no plural que substitui "emocionais" e que roubei de uma pessoa muito querida que tem o costume de usar essa palavrinha engraçadinha. Vide "Blog da Letícia".
2.2 TTi Conversível
Ahá!! Agora numa versão um popuco mais velha, como acontece todo ano - tá bom... todo dia. Só que a gente só faz aniversário uma vez por ano, né? Consideremos isso, então.
E alguns me perguntam: "Como se sente estando mais velho?" Engraçado como na maioria das vezes eu não tenho uma resposta pronta. Mas o que me veio à cabeça agora é: "Mais novo!" Sim, senhor. Cada dia mais. Grande coisa ter vinte e dois anos. Continuo me sentindo como se me tivesse sei lá quantos - não paro pra pensar nisso lá com grande freqüência - e com cara de pouco menos idade que eu tenho de verdade.
E aproveitando cada dia como se fosse o primeiro!
PS: Pra quem não sabe... 2.2 é pra 22 anos, Conversível pra minha careca - sim, passei máquina zero recentemente - e TTi... Twin Turbo Injection. =P
E alguns me perguntam: "Como se sente estando mais velho?" Engraçado como na maioria das vezes eu não tenho uma resposta pronta. Mas o que me veio à cabeça agora é: "Mais novo!" Sim, senhor. Cada dia mais. Grande coisa ter vinte e dois anos. Continuo me sentindo como se me tivesse sei lá quantos - não paro pra pensar nisso lá com grande freqüência - e com cara de pouco menos idade que eu tenho de verdade.
E aproveitando cada dia como se fosse o primeiro!
PS: Pra quem não sabe... 2.2 é pra 22 anos, Conversível pra minha careca - sim, passei máquina zero recentemente - e TTi... Twin Turbo Injection. =P
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Overdose de Paçoca
Esse é um texto - que achei engraçadíssimo - de um primo meu sobre comer paçoca. Talvez o fato dee eu gostar de paçoca tenha contribuído para eu achar tanta graça. Divirta-se!
--
Série "Tadinho de quem tá lendo..."
Overdose de Paçoca (Renato Reis)
- "Como assim? Cê tá louco?"
Não, tô entediado e hiperativo, por isso tô escrevendo essa baboseira, perda de tempo.
Tudo o que vou fazer agora é falar os efeitos do uso excessivo de... paçoca. Você já comeu? Gosta? NÃO!? Seu impuro, problemático! Se gosta, já se sentiu alterado comendo? Pois é, vamos analisar, agora, os efeitos de cada dose:
1ª: Gostinho bom na boca! Vontade de comer mais.
2ª: Hum! Mais uma paçoca!
3ª: Ah-ha! Aí começa: você sente um calafrio, início de hiperatividade. Quer muuuito mais paçoca.
4ª: Seu organismo se sente viciado em paçoca e você está totalmente acordado.
5ª e 6ª: Começa o delírio. Tipo assim: "Ai caramba! Paçoca!" E isso gritando. Você fica inquieto ou andando como um trouxa - hehe!
7ª: Você rouba mais três palocas do potinho e sai correndo.
8ª: Você começa a correr para tudo que é canto, derrapando, com cara de animal em que injetaram gasolina.
9ª: Você está sobrecarregado de doces, tombando - de tanto correr rápido - , tentando subir as paredes e batendo a cabeça e berrando.
10ª: Você pira. Começa a, além da correria, falar merda, ter alucinações e enfia quatro paçocas de uma vez na boca.
14ª, de uma vez mesmo: Você se vê deitado no chão, batendo a cabeça nele, tentando descobrir por que não se planta bananeira com os pés e tendo alucinações.
15ª: CUIDADO! PERIGO DE MORTE!!!
--
Bom... Consideremos que esses efeitos são um bocado exagerados pra um simples ato de comer paçoca - ou, de acordo com o prórpio autor, não são... Mas, se não forem mesmo, acho que assim acontece com pessoas de baixa resistência à paçoca. Eu já passei da décima quinta e continuo aqui vivo e - quase - são. E você? Sobrevive a quinze doses de paçoca uma atrás da outra?
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Série "Tadinho de quem tá lendo..."
Overdose de Paçoca (Renato Reis)
- "Como assim? Cê tá louco?"
Não, tô entediado e hiperativo, por isso tô escrevendo essa baboseira, perda de tempo.
Tudo o que vou fazer agora é falar os efeitos do uso excessivo de... paçoca. Você já comeu? Gosta? NÃO!? Seu impuro, problemático! Se gosta, já se sentiu alterado comendo? Pois é, vamos analisar, agora, os efeitos de cada dose:
1ª: Gostinho bom na boca! Vontade de comer mais.
2ª: Hum! Mais uma paçoca!
3ª: Ah-ha! Aí começa: você sente um calafrio, início de hiperatividade. Quer muuuito mais paçoca.
4ª: Seu organismo se sente viciado em paçoca e você está totalmente acordado.
5ª e 6ª: Começa o delírio. Tipo assim: "Ai caramba! Paçoca!" E isso gritando. Você fica inquieto ou andando como um trouxa - hehe!
7ª: Você rouba mais três palocas do potinho e sai correndo.
8ª: Você começa a correr para tudo que é canto, derrapando, com cara de animal em que injetaram gasolina.
9ª: Você está sobrecarregado de doces, tombando - de tanto correr rápido - , tentando subir as paredes e batendo a cabeça e berrando.
10ª: Você pira. Começa a, além da correria, falar merda, ter alucinações e enfia quatro paçocas de uma vez na boca.
14ª, de uma vez mesmo: Você se vê deitado no chão, batendo a cabeça nele, tentando descobrir por que não se planta bananeira com os pés e tendo alucinações.
15ª: CUIDADO! PERIGO DE MORTE!!!
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Bom... Consideremos que esses efeitos são um bocado exagerados pra um simples ato de comer paçoca - ou, de acordo com o prórpio autor, não são... Mas, se não forem mesmo, acho que assim acontece com pessoas de baixa resistência à paçoca. Eu já passei da décima quinta e continuo aqui vivo e - quase - são. E você? Sobrevive a quinze doses de paçoca uma atrás da outra?
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Ouvir música...
Eis aí uma coisa pra qual ninguém precisa fazer força. Na "pior" das hipóteses, você vai até o rádio para ligá-lo ou colocar uma fita ou um disco no aparelho de som. E lá vai você ouvir horas e horas daquelas músicas que você adora. Delícia, né?
E o mais engraçado é como as músicas que a gente ouve em determinadas situações se encaixam nas determinadas situações. Às vezes você colocou aquela música em especial por causa do momento e, às vezes, por incrível que pareça, ela simplesmente sai da sua lista de reprodução pelo fone de ouvido enquanto você procura o que não deve no Orkut ou joga paciência. O mais interessante, torno a dizer, é como as músicas casam com a situação.
Vamos começar pelas mais corriqueiras. Você coloca aquelas músicas pesadas do Helmet, do Megadeth e do Skindred enquanto joga Need for Speed. Tudo a ver: corrida de carros, alta velocidade e uma música rápida e pesada pra acompanhar o espírito agressivo de competição. Ou então você coloca aquelas coisinhas mais new wave no estilo Enya ou Yanni enquanto viaja horrores no fotoshop ou até no paint. Ou enquanto faz um desenho a mão mesmo. É mais que um estímulo à criatividade. Nada como uma música bem "solta" para soltar a imaginação. Ou, então, você senta na frente do aparelho de som com um violão no colo e se dana a tirar músicas do Chico Buarque, do Vinícius de Moraes e do Caetano Veloso. O som do violão cantando uma MPB é simplesmente maravilhoso, né?
Ou, para uns tantos um pouco menos leves, você liga a sua guitarra com playbacks no volume mais alto e viaja nas virtuoses do Steve Vai, do Joe Satriani e do Andy Timons. Por mais que você saiba que não dá conta de muitas das músicas deles, você vai lá e toca alguma coisa do seu jeito. Por que não fazer uma música ter a sua cara? Ou, ainda, você começa a ler uns blogs ou perfis de Orkut enquanto ouve Danni Carlos ou Cássia Eller. Viu como casa?
E tem aquelas situações mais clássicas... Acabou de começar um namoro ou de receber ou fazer uma declaraçãozinha pra aquela pessoa especial e, pra fazer o momento voltar na sua cabeça, você põe aquelas músicas lindas que só você conhece e que mais que casam com a situação. Ou, mais clássico ainda... Você acabou de brigar com aquela pessoa especial, ficou triste e, nesse momento deprê, a sua lista de reprodução de repente solta Still Loving You do Scorpions, November Rain do Guns n' Roses ou One do U2. Não falha. Se você já estava triste, de repente desce um rio de lágrimas dos seus olhos.
Mas isso geralmente funciona com pessoas que não caíram na maldição de compor as próprias músicas pra aquelas situações. Quando isso acontece, não tem Doce Vampiro, Criança ou Money Can't Buy It que te acompanhe naquela hora sapeca com aquela pessoa querida, por exemplo. Você fez AQUELA música pra AQUELA situação e vai ser AQUELA música que você vai querer que toque enquanto você deita e rola.
E não importa de quem é a música; enquanto você não tirar aquele disco, aquela fita ou não calar a boca do seu rádio ou do seu media player, você vai ouvir um bom tempo daquelas músicas que casam com aquela situação. Se não der tempo do momento paixonite, deprê, raiva ou coisa assim passar, você vai colocar as músicas pra tocar de novo. E de novo, e de novo...
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Sobre a saudade Vol. 2
De vez em quando acontece de a gente meio que se desfazer de alguma coisa - ou algumas coisas - e se arrepender, não é? Jogar fora alguma fotografia, algum disco, alguma roupa ou qualquer outro objeto que a gente pensou que não fosse fazer falta... Ou deixar, por uma razão ou outra, de falar com alguma pessoa...
Como isso acontece? O que é que leva a gente a não querer mais aquela coisa ou aquela pessoa por perto? E a resposta, logicamente, é... Sei lá! Acontece... De repente aquela fotografia deixa de ter a ver com aquilo com que tinha a ver, a gente enjoa daquele disco ou daquela roupa ou daquele objeto qualquer, acha que não vai fazer falta e aí esconde, dá pra alguém ou joga fora. Ah! Com pessoa? Sei lá... Briga ou se afasta simplesmente ou... Acontece. Coisas mil podem fazer com que duas - ou mais - pessoas deixem de se falar.
E aí faço menção à segunda postagem deste blog: bate saudade.
E, a uma altura dessas, com grande probabilidade, depois de bater a saudade bate um pânico. Sim, algo nesse estilo. E rola uma coisa dessas porque você não lembra aonde você colocou aquela fotografia, pra quem você deu aquele disco ou se jogou aquela roupa fora. E agora? E quando aconteceu de você deixar de falar com aquela pessoa? Como se faz quado não se lembra do telefone dela ou do endereço ou do e-mail?
Vale lembrar que nem sempre o nosso braço tem força o bastante pra arremessar essas coisas mais longe do que ele possa alcançar de novo. É preciso, com certeza, saber mexer o braço pra poder arremessar uma pedra num lago tão longe quanto não se possa mais ver. Graças a Deus não é todo mundo que consegue arremessar tão longe assim e, também graças a Deus, não é toda pedra que é leve o bastante para que possa ser arremessada tão longe. Mas, dependendo do caso...
Vale torcer pro braço ser longo o bastante pra alcançar a pedra de novo.
Como isso acontece? O que é que leva a gente a não querer mais aquela coisa ou aquela pessoa por perto? E a resposta, logicamente, é... Sei lá! Acontece... De repente aquela fotografia deixa de ter a ver com aquilo com que tinha a ver, a gente enjoa daquele disco ou daquela roupa ou daquele objeto qualquer, acha que não vai fazer falta e aí esconde, dá pra alguém ou joga fora. Ah! Com pessoa? Sei lá... Briga ou se afasta simplesmente ou... Acontece. Coisas mil podem fazer com que duas - ou mais - pessoas deixem de se falar.
E aí faço menção à segunda postagem deste blog: bate saudade.
E, a uma altura dessas, com grande probabilidade, depois de bater a saudade bate um pânico. Sim, algo nesse estilo. E rola uma coisa dessas porque você não lembra aonde você colocou aquela fotografia, pra quem você deu aquele disco ou se jogou aquela roupa fora. E agora? E quando aconteceu de você deixar de falar com aquela pessoa? Como se faz quado não se lembra do telefone dela ou do endereço ou do e-mail?
Vale lembrar que nem sempre o nosso braço tem força o bastante pra arremessar essas coisas mais longe do que ele possa alcançar de novo. É preciso, com certeza, saber mexer o braço pra poder arremessar uma pedra num lago tão longe quanto não se possa mais ver. Graças a Deus não é todo mundo que consegue arremessar tão longe assim e, também graças a Deus, não é toda pedra que é leve o bastante para que possa ser arremessada tão longe. Mas, dependendo do caso...
Vale torcer pro braço ser longo o bastante pra alcançar a pedra de novo.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Olhos
Todo mundo tem. Não só tem como tem dois. Castanhos, azuis, verdes, vermelhos, escuros, claros, grandes, pequenos, míopoes, hipermétropes, astigmatas, estrábicos, cegos e por aí vai. São coisinhas tão comuns... Vemos isso todo santo dia quando nos olhamos no espelho, quando falamos com outras pessoas, quando damos bom-dia pro nosso gato - sim! por que não incluir olhos de animais nisso? - e até quando vemos aquelas propagandas chatas que passam na TV.
O mais curioso é o que pode haver por dentro deles. Inúmeras teorias e pessoas dizem inúmeras coisas e coisas a respeito dos olhos. Há quem diga que é onde se guardam os mistérios, há quem diga que é onde se guardam as verdades, há quem diga que são as janelas para a alma e, na minha opinião pessoal, eles entregam muito mais do que só mistérios, verdades ou janelas para a alma.
Quanto de nós fica guardadinho dentro da gente? Quer dizer... Quanto de nós nós deixamos de revelar por meio de palavras ou gestos ou por meio de qualquer outra coisa? E o que é isso que costumamos deixar guardado - e, às vezes, escondido?
Disfarçar ou esconder uma idéia é extremamente fácil, na maioria das vezes. É coisa que a gente pensa e os olhos não são, eu diria, exatamente técnicos - na falta de termo melhor - pra transparecer alguma idéia. Já é mais difícil esconder alguma coisinha mais, digamos, corriqueira. É meio complicado esconder sono, cansaço ou empolgação, por exemplo. Mas isso é físico. Olhos vermelhos ou levemente caídos ou coisa no estilo são coisas que não têm lá como disfarçar - nem motivo, na maior parte do tempo.
E as emoções? E os sentimentos? Esses, muitas vezes, fazemos de tudo pra não deixar transparecer. Curiosíssimo, não? Uma raiva de alguém, uma indiferença, um aborrecimento, uma quedinha, uma admiração ou uma paixão louca... Isso são coisas que as pessoas costumam esconder, pelo que tenho visto nos últimos vinte e um anos e meio. E por quê?
O mais curioso dessa história toda é o quanto é fácil entregar essas coisas que a gente sente e, por incrível que pareça, o quanto é fácil perceber essas coisas em outras pessoas. Tudo isso pode ser feito por meio de um contato entre os olhos. Geralmente, quem quer esconder algo, evita olhar nos olhos. Fure, com os seus, os olhos dessa pessoa de quem você quer saber alguma coisa nesse gênero e veja o que acontece. É uma das coisas mais lindas do mundo quando duas pessoas se olham nos olhos com fome de olhar nos olhos. E, então, tudo aparece como por encanto. Todas aquelas coisas escondidas dentro daquela pessoa parecem sair como num grito desesperado, como se tudo aquilo estivesse preso e com sede de liberdade - e, de fato, devia estar mesmo.
O mais curioso é o que pode haver por dentro deles. Inúmeras teorias e pessoas dizem inúmeras coisas e coisas a respeito dos olhos. Há quem diga que é onde se guardam os mistérios, há quem diga que é onde se guardam as verdades, há quem diga que são as janelas para a alma e, na minha opinião pessoal, eles entregam muito mais do que só mistérios, verdades ou janelas para a alma.
Quanto de nós fica guardadinho dentro da gente? Quer dizer... Quanto de nós nós deixamos de revelar por meio de palavras ou gestos ou por meio de qualquer outra coisa? E o que é isso que costumamos deixar guardado - e, às vezes, escondido?
Disfarçar ou esconder uma idéia é extremamente fácil, na maioria das vezes. É coisa que a gente pensa e os olhos não são, eu diria, exatamente técnicos - na falta de termo melhor - pra transparecer alguma idéia. Já é mais difícil esconder alguma coisinha mais, digamos, corriqueira. É meio complicado esconder sono, cansaço ou empolgação, por exemplo. Mas isso é físico. Olhos vermelhos ou levemente caídos ou coisa no estilo são coisas que não têm lá como disfarçar - nem motivo, na maior parte do tempo.
E as emoções? E os sentimentos? Esses, muitas vezes, fazemos de tudo pra não deixar transparecer. Curiosíssimo, não? Uma raiva de alguém, uma indiferença, um aborrecimento, uma quedinha, uma admiração ou uma paixão louca... Isso são coisas que as pessoas costumam esconder, pelo que tenho visto nos últimos vinte e um anos e meio. E por quê?
O mais curioso dessa história toda é o quanto é fácil entregar essas coisas que a gente sente e, por incrível que pareça, o quanto é fácil perceber essas coisas em outras pessoas. Tudo isso pode ser feito por meio de um contato entre os olhos. Geralmente, quem quer esconder algo, evita olhar nos olhos. Fure, com os seus, os olhos dessa pessoa de quem você quer saber alguma coisa nesse gênero e veja o que acontece. É uma das coisas mais lindas do mundo quando duas pessoas se olham nos olhos com fome de olhar nos olhos. E, então, tudo aparece como por encanto. Todas aquelas coisas escondidas dentro daquela pessoa parecem sair como num grito desesperado, como se tudo aquilo estivesse preso e com sede de liberdade - e, de fato, devia estar mesmo.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Viagem

Asfalto até onde a vista alcança. Àdiante e para trás, se olhar pelo retrovisor. Se a vista for mais longe e a estrada entortar, eu sei que são só curvas. Vou contorná-las e continuar seguindo o rumo como há de ser sempre. O motor é relativamente potente e deve me permitir chegar aonde pretendo - ou devo - chegar e há combustível o bastante pra isso. Sigamos...
120km/h, quinta marcha. É rápido, de certa forma. Será que rápido o bastante? Será que rápido demais? E esse caminho todo que venho percorrendo? São muitas horas de viagem acumuladas até agora, muitos quilômetros percorridos. Vim pelo caminho certo? Imagino que esteja indo na direção certa, mas não tenho mapa em mãos. Onde eu poderia ter arranjado - ou posso arranjar - um? Se ainda fizesse idéia disso...
Um carro adiante... Vou me aproximando dele devagar. Reduzo pra acompanhar o ritmo dele. Depois da curva eu passo, se tiver reta. Ótimo. Quarta marcha. Ponho do lado e piso fundo. 100km/h, 110km/h, quinta marcha, 120km/h... Pronto. Ficou pra trás. Logo, logo aqueles faróis devem sumir do retrovisor.
E toda essa paisagem em volta? Montanhas enormes, muito verde... Será que está frio lá fora? Não sei se quero abrir as janelas pra descobrir; cá dentro está confortável. Acelerar mais? Diminuir? Perguntar o caminho?
Sigamos...
--
Se olharmos os nossos retrovisores, talvez vejamos uma estrada tortuosa atrás de nós. Talvez, também, nada impede, vejamos uma estrada reta e lisa. E o que está por vir? Qual caminho tomar? Para onde ir? O curioso é que nessa estrada que a gente inventou de chamar de "vida" o nosso carro não pára. Não diminui nem acelera. É sempre um ritmo constante e relativamente rápido. Não há muito tempo para escolher que caminho seguir e, na maioria das vezes, não há um "sub-caminho" de volta para uma estrada onde já estivemos.
Sigamos...
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Sobre a saudade...
Uma palavrinha até pequena. Uma paroxítona de três sílabas, sete letras e um impacto gigantesco no pobre ser que se atreve a sentir essa coisa maluca que a gente chama de saudade.E essa aí acontece como? A resposta é: quem sabe?
Num dia desses, aproveitando que as aulas acabaram e tudo mais, você abre o seu armário pra limpar uma bagunça que você fez durante o ano. Sabe aquela bagunça que você arruma uma vez por ano e não muito mais do que isso? Pois é... E lá você acha uma porcariada enorme que nunca mais você vai usar. E no meio dessa porcariada enorme - que não envolve só o material didático, paradidático e problemático do ano que passou - tem coisas do tipo bilhetinhos que você trocou com um amigo na sala de aula, uma cartinha que você recebeu de um admirador secreto, uma foto que você tirou com um pessoal da sua turma... Essas coisas que você vê e acha que não vão fazer falta - mas isso vale para pessoas normais; cancerianos que, como eu, têm surtos de nostalgia, costumam guardar coisas que, muito provavelmente, não vão servir pra nada.
E aí você joga fora.
Uns trezentos e sessenta e cinco dias depois você vai ver aquela porcariada de novo e vai arrumar de novo porque tem mais coisa pra jogar fora - e ressalto que não é só o material didático, paradidático e problemático do ano que passou. Aí você pára de arrumar as coisas e se pergunta: cadê aquela foto que eu tirei com o Fulano, a Sicrana e o Beltrano? Não tem jeito: você se dana a revirar aquele armário - mas não é pra arrumar a bagunça; agora é pra achar a foto. E você não acha. E agora?
E com pessoas? Aí, sim, é complicado DE VERDADE sentir saudade.
Num dia desses você estava vagando sem rumo naquela imensidão que é a sua casa - que, mesmo que seja um apartamentinho pequenininho, vira uma imensidão de vez em quando - e resolveu ligar pra alguém. Aí você pega a sua agendinha pra procurar o telefone - ou liga de vez, já que pode ter o número decorado - , tecla oito dígitos e começa com os "tuuuuuuuu!" do telefone fazendo barulho do outro lado da linha pra ver se a pessoa atende. Vamos parar por aí. Por que foi mesmo que você ligou? Estava com o quê?
Desde a semana passada que você não vê o seu namorado - ou a sua namorada - porque os dois estavam enterrados de mil coisas pra fazer até a altura do nariz. Daí você conseguiu se desafogar e arranjou um fim de tarde e uma noitinha pra passar com essa pessoa especial. Só que, antes de arranjar esse tempinho... Que foi mesmo que você sentiu? Como era a palavra? Paroxítona? Três sílabas? Sete letrinhas?
E quando você passa muito tempo - leia-se "tanto tempo que você mal consegue lembrar quando foi a última vez" - sem ver aquilo ou aquela pessoa de quem você está com saudade? Como é que fica? Aquela fotografia, aquele disco, aquele filme, aquele lugar fazia tão bem... Trazia tantas lembranças boas... E aquela pessoa? Fazia tão bem estar com ela, né? O cafuné daquela pessoa, aquelas conversas de horas, as piadinhas, as risadas... Tudo tão gostoso! E quando falta? E quando passa muito tempo - leia-se "aquela descrição enorme que eu dei ali em cima sobre 'muito tempo' e eu não quero repetir" - sem essa pessoa? Incomoda? Dói? Faz falta? Dá vontade de chorar de vez em quando?
Se a resposta for "sim" pra, pelo menos, uma das quatro últimas perguntas aí em cima, é bem capaz de você ter sido acometido por essa coisinha de sete letrinhas, três sílabas e blábláblá. E, se a resposta foi "sim" pras quatro perguntas...
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